Esquerda e direita convocam manifestações em João Pessoa no feriado da Independência

A data, que tradicionalmente é marcada pelo desfile cívico-militar, desta vez também será palco de embates

Movimentos de esquerda e de direita se preparam para ocupar as ruas de João Pessoa no próximo 7 de Setembro, feriado da Independência do Brasil. A data, que tradicionalmente é marcada pelo desfile cívico-militar, desta vez também será palco de embates simbólicos entre grupos alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em um momento de forte polarização política.

As mobilizações estão previstas para ocorrer em pontos distintos da capital paraibana: pela manhã, a partir das 8h, grupos de esquerda se concentram no Parque da Lagoa, no Centro da cidade. À tarde, movimentos bolsonaristas marcam presença no Largo de Tambaú, na orla.

Grito dos Excluídos e oposição à anistia

O ato da esquerda ocorrerá em conjunto com o tradicional Grito dos Excluídos, manifestação que acontece anualmente no Dia da Independência. Este ano, a pauta central será a defesa da democracia, da soberania nacional e a rejeição à anistia dos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.

A deputada estadual Cida Ramos (PT) afirmou que o objetivo é contrapor o que classificou como tentativa da direita de distorcer o simbolismo da data. “Os bolsonaristas vão fazer um ato em defesa de Bolsonaro. Na democracia e na soberania, eles não podem falar, porque estão nos Estados Unidos entregando o país e trocando a bandeira brasileira pela americana”, declarou, em entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM.

Direita promete mobilização e “onda verde-amarela”

Já os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro planejam um ato de apoio político e de crítica ao governo Lula. A concentração será à tarde, no Largo de Tambaú, com expectativa de reunir lideranças locais e militantes conservadores.

O deputado federal Cabo Gilberto Silva(PL) convocou o ato pelas redes sociais e disse que a população vai “tomar conta das capitais”. Segundo ele, “uma onda verde-amarela vai mostrar que o povo está mobilizado em defesa do Brasil”.

Nacionalmente, o bolsonarismo articula manifestações em todas as capitais, com presença confirmada de nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas(Republicanos), que estarão na Avenida Paulista, em São Paulo. Em outras capitais, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, também estão previstos atos com a presença de parlamentares da base conservadora.

Julgamento de Bolsonaro deve influenciar mobilizações

A tensão política em torno do 7 de Setembro é intensificada pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que terá início no dia 2 de setembro e se estenderá até o dia 12, no Supremo Tribunal Federal (STF). A análise do caso pode impactar diretamente a mobilização de seus apoiadores, que querem transformar o feriado em um ato de demonstração de força diante da Justiça e do governo federal.

Ambos os campos políticos têm usado as redes sociais para convocar seus militantes. De um lado, o PT aposta na defesa das instituições democráticas, enquanto do outro, o bolsonarismo busca reforçar a narrativa de perseguição política.

Com atos marcados em regiões centrais e turísticas de João Pessoa, a expectativa é de que as forças de segurança pública acompanhem as manifestações de perto para evitar confrontos e garantir a ordem durante o feriado.

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